– A Criança que rememora

O projeto A Criança que rememora se propõe a valorizar as memórias feitas pelos pequenos em suas experiências cotidianas de tornar-se ou construir a si e o mundo. Com especial atenção aos trajetos que as crianças percorrem em seus mundos inventados desafiando o olhar do adulto sobre o conjunto de saberes e poderes que regem a infância e suas singularidades.O desejo de aprender com as crianças versa sobre as experiências dos pequenos redobrando-se nas questões que podemos encontrar ao ter a atenção voltada para seus mundos vividos e o que podemos ler através de seus mapas narrativos. Voltar–se para esse outro possui não só um caráter lúdico ou pedagógico, mas permite partilhar com as crianças suas andanças e presenças pelo mundo para elaborar fazeres compartilhados de criações ou invenções de itinerários de conhecer.

 A criança que rememora é o ser corpóreo da experiência que desafia o conceito aprisionador da infância. Longe de destituí-la de um estatuto próprio, é procurar um fazer junto, incluindo nossas diferenças, como incita Benjamin: O fato de termos sido crianças nesta época faz parte de sua imagem objetiva […] A criança é capaz de fazer algo que o adulto não consegue: rememorar o novo (Benjamin, 435). Compartilhar com as crianças desse presente que se faz passado, voltando a atenção para as criações desse outro fortalece o vínculo no qual se tece a autoridade necessária para alimentar nossas redes de conversações para partilhar o mundo.

O trabalho com a criança que rememora nasce do desejo de aproximar questões da aprendizagem com a arte, num ponto de vista duplo: investigar com as crianças para produzir ou inventar perguntas e debruçar-se sobre suas maneiras, formas e escolhas que compõem nossas performances como professoras. Essa ação reafirma a responsabilidade docente das posições assumidas, também nos  permite ver os modos de existência como obra de arte. Assumir a vida (profissional e pessoal) sob o signo da arte apresenta não só uma estética, mas uma ética  – o conjunto de regras facultativas que avalia o que fazemos, o que dizemos, em função do modo de existência que isso implica, Deleuze.

O projeto pretende procurar junto às professoras e às crianças a textura das elaborações cotidianas, através de imagens, escritas, relatos da cotidianidade dos bairros, da escola e das redes de sociabilidade tecidas pelos sujeitos praticantes das escolas da Rede Municipal de Duque de Caxias.

Encontro de apresentação do projeto para as professoras da Educação Infantil da rede Municipal de Duque de Caxias

Encontro de apresentação do projeto para as professoras da Educação Infantil da rede Municipal de Duque de Caxias

Encontro de apresentação do projeto para as professoras da Educação Infantil da rede Municipal de Duque de Caxias

Encontro de apresentação do projeto para as professoras da Educação Infantil da rede Municipal de Duque de Caxias